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Campina Grande - PB

Quase 90% das brasileiras que moram nas cidades foram assediadas

27/11/2016

O assédio é uma realidade para 87% das mulheres brasileiras que vivem em áreas urbanas, 16% relataram ter sido assediadas antes dos 10 anos e 55%, com 18 anos ou menos.

As informações estão em pesquisa divulgada e encomendada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid no Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

Além das brasileiras, foram ouvidas tailandesas, indianas e britânicas. O Brasil é o que apresenta a maior incidência de assédio entre as mulheres e também entre aquelas que sofreram assédio antes dos 10 anos.

Foram considerados assédio atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.

Para a produtora Erika Freddo, 38 anos, o fato de não ter sofrido assédio antes dos dez anos é uma raridade.

“Acho que fui muito protegida quando criança, mas várias amigas já contaram ter sofrido quando crianças assédio de amigo da família, padrasto, mas, depois de adulta, o assédio tornou-se quase cotidiano. Hoje mesmo um cara olhou nas minhas partes íntimas quando eu estava indo para a ginástica. E aí você se sente culpada por estar com roupa justa”, disse.

Erika ficou traumatizada com um dos primeiros assédios, na adolescência, quando caminhava na rua sem sutiã.

Foto: Reprodução/ Internet

Foto: Reprodução/ Internet

“Hoje só uso sutiã com bojo para não marcar o bico do peito”. Mãe de uma adolescente de 15 anos, ela lamenta testemunhar o assédio da própria filha. “Infelizmente, quando ela veste um short muito curso, peço para tirar, não por ela ou porque está feio, mas porque sei que ela será assediada e inclusive fazem isso quando ela está comigo. Me sinto muito mal”.

Sexualização infantil

Para a assessora do Programa de Direito das Mulheres da ActionAid no Brasil, Jéssica Barbosa, é preocupante o alto índice de assédios a crianças no país, que revela uma propensão da sociedade brasileira à sexualização infantil.

“O patriarcado atua nesse processo de naturalização da violência contra a mulher e aí não estamos falando de homens loucos, de uma exceção, mas sim, do primo, do tio, do vizinho, de homens que foram ensinados a sexualizar essas crianças desde muito cedo. Inclusive os dados mostram que a maioria dos estupradores são conhecidos das vítimas”.

A maioria (55%) das entrevistas disse ter sido assediada nas ruas e 23%, no ambiente de trabalho. Os assovios (65%) foram as principais formas de assédio relatadas pelas entrevistadas, mas comentários de cunho sexual ocorreram com mais da metade das mulheres (52%), seguidos de insultos (38%), perseguição na rua (29%), exibições por parte de homens (29%) e ser tocada (20%).

Ainda segundo o estudo, 86% das brasileiras entrevistadas afirmaram tomar alguma providência para se proteger das abordagens indevidas. Dentre as medidas, estão: fazer um caminho diferente do usual (55%), evitar parques ou áreas mal iluminadas (52%), ligar ou enviar mensagem para alguém confirmando estar bem (48%), solicitar a companhia de outra pessoa (44%), evitar transporte público (17%) e desistir de ir a um evento social (18%).

A representante da ActionAid disse que melhorar a segurança dos espaços públicos, com mais iluminação, policiamento, melhores meios de transporte, diminui a vulnerabilidade das mulheres nas rua.

“Precisamos garantir o acesso da mulher à cidade e desnaturalizar a violência. Estamos falando de mulheres que deixam de usufruir da cidade, de serviços públicos, que deixam de viver todas as suas liberdades e potencialidades pelo medo do assédio e da violência”, disse Jéssica.

A pesquisa foi feita online no período entre 1º e 14 de novembro e ouviu 2.236 mulheres: 1.038 na Grã-Bretanha, 502 no Brasil, 496 na Tailândia e 200 na Índia.

Os números foram ponderados e são representativos de todas as mulheres maiores de idade na Grã-Bretanha, todas as mulheres online na Tailândia e toda a população urbana feminina de Brasil e Índia.

FONTE: Agência Brasil

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