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Campina Grande - PB

Pesquisadores alertam para qualidade da água do Boqueirão em audiência pública

29/11/2016

Foto: Ascom

Foto: Ascom

A qualidade da água do açude Boqueirão não é propícia para o consumo. Essa foi a declaração de pesquisadores do Instituto Professor Joaquim Amorim Neto de Desenvolvimento (Ipesq), durante audiência pública realizada na tarde desta terça-feira (29), no plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba.

A audiência foi de propositura da deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), presidente da comissão especial para acompanhar a crise hídrica em Campina Grande e região.

Na tribuna, Daniella fez um breve histórico sobre a história da Seca no Nordeste e na Paraíba, e voltou a cobrar providências do governo estadual no que compete às obras complementares da Transposição do Rio São Francisco e à fiscalização do açude Epitácio Pessoa (Boqueirão).

A médica e pesquisadora Adriana Melo, pioneira nas pesquisas sobre microcefalia, fez um alerta sobre as águas do Boqueirão.

“Nossa preocupação é no sentido da qualidade da água do açude, por isso compreendo a deputada Daniella quando ela questiona a retirada da água nos carros-pipa. Não se deve retirar água do Boqueirão, pois a população pode estar sendo envenenada”, destacou Adriana.

A também pesquisadora Mônica Lopes, do Instituto Butantan, mostrou através de gráficos que estudos feitos nas águas do Boqueirão causaram anomalias e mortes em peixes cujos genes se assemelham aos de serem humanos.

“A água não deve ser utilizada, pois matou os animais ou deixou anomalias. Não é uma agua própria para consumo”, explicou. O estudo contemplou a água de outros açudes e também do Hospital Pedro I, em Campina Grande.

O professor Fabiano Thompson, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que não teria coragem de dar água do Boqueirão para um filho dele, demonstrando sua preocupação com a qualidade do açude. Segundo ele, foram feitas duas coletas no Boqueirão, e ficou comprovada uma alta carga de bacteriana. “Dentre os problemas que podem ser causados por essa água, diarreia seria o menor deles”, alertou Thompson, destacando ainda que o Boqueirão possui uma grande concentração de metais pesados, como zinco e cobre.

Já o professor de Geografia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Ozéas Jordão, disse que a situação do Boqueirão é crítica e merece ser discutida com seriedade, buscando minimizar os efeitos da falta de água na região.

A audiência pública contou ainda com a participação de representantes da Companhia DE Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), Ministério Público, Secretaria de Saúde de Campina Grande, Defesa Civil das localidades abastecidas pelo Boqueirão, dentre outros.

FONTE: Da Redação com Ascom

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