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Campina Grande - PB

Número de pessoas ocupadas cai pela primeira vez em 11 anos

25/11/2016

Pela primeira vez desde 2004, houve queda no número de brasileiros ocupados em 2015, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A redução de 3,9% representou menos 3,8 milhões de pessoas ocupadas. Além disso, cerca de 2 milhões de ocupados deixaram de contribuir para a Previdência.

A coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, ressaltou que a indústria apresentou a maior perda, com cerca de um milhão de ocupados a menos (-8%).

“As principais perdas ocorreram em ocupações em que havia melhor, que teve um impacto no rendimento que caiu pela primeira vez em 11 anos”, explicou ela.

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

A participação dos empregados entre os ocupados passou de 61,3% para 60,6% e a dos que trabalham por conta própria cresceu de 21,4% para 23%.

O mercado de trabalho teve aumento de 38,1% da população desocupada (mais 2,8 milhões de pessoas), que chegou a 10 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2015.

A maior parte da população desocupada era composta por pretos ou pardos (60%), mulheres (53%) e jovens (33,4%) e pessoas com o ensino médio incompleto (48,2%).

O número de crianças trabalhando no Brasil caiu cerca de 20% no ano passado em comparação com 2014. A pesquisa aponta, ainda, que 2,7 milhões de pessoas de 5 a 17 anos de idade trabalhavam no país no ano passado.

A queda representa 659 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição do que no ano anterior. Desse total, 15,4% correspondiam a pessoas na situação de trabalho infantil (exploração de crianças com idade inferior a 16 anos).

O número, no entanto, é um sintoma da crise econômica e do aumento do desemprego no país, segundo a pesquisadora do IBGE.

“É mais um reflexo da conjuntura do mercado de trabalho do que de políticas públicas, e afetou especialmente os adolescentes de 14 a 17 anos”, explicou ela.

“Os mais novos são os primeiros a sofrerem quando há recessão, geralmente [eles] não têm carteira assinada, [são] menos escolarizados e mais fáceis de substituição”.

No Norte e Nordeste, esse percentual foi maior (21,6%) e 21,2% respectivamente). Das crianças entre 5 e 13 anos de idade que trabalhavam (412 mil), 79 mil tinham menos de nove anos e 333 mil tinham de 10 a 13 anos de idade. A maioria (2,3 milhões) tinha de 14 a 17 anos de idade.

Quase 65% dessas crianças trabalhavam no campo, assim como em 2014. O rendimento médio mensal domiciliar per capita real das pessoas de 5 a 17 anos ocupadas nesse período foi estimado em R$ 630.

Para as pessoas não ocupadas nessa faixa de idade, o rendimento foi estimado em R$ 687. O número médio de horas habitualmente trabalhadas por semana em todos os trabalhos caiu de 25,9 em 2014, para 24,6 em 2015.

Percentualmente, o grupo de 10 a 13 anos de idade registrou a maior queda (31,1% ou 150 mil pessoas). Em termos absolutos, a maior redução ocorreu no grupo de 14 a 17 anos de idade, com 518 mil pessoas ocupadas a menos, sendo que as maiores diminuições foram observadas no Nordeste (180 mil pessoas) e Sudeste (163 mil pessoas).

De acordo com a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Danielle Cramer, a exploração ilegal de mão obra infantil aumentou no ano passado.

“O que vemos na prática é o aumento das denúncias de trabalho infantil no país. Em situações de crise, empresas utilizam mais mão de obra infantil por ser mais barata. E as famílias colocam seus filhos para trabalhar para complementar a renda familiar, que já anda escassa”, disse ela.

“No setor formal, sim, houve demissões dos trabalhadores menores de 18 anos, o que se reflete no número como um todo. No setor informal, infelizmente, estamos retrocedendo e jogando por terra todas as conquistas sociais obtidas nos últimos anos”, completou.

Ainda segundo o IBGE, em 2015, o nível da ocupação das pessoas de 5 a 17 anos de idade foi estimado em 6,6%, tendo sido 8,1% em 2014. As regiões Norte, Nordeste e Sul apresentaram as maiores reduções em relação a 2014. A região Sul permanece com o maior nível da ocupação para esse grupo etário, 8,3%, enquanto a Sudeste registra o menor, 5,6%.

 

FONTE: Agência Brasil

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