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Campina Grande - PB

Couto aponta orquestração usando Lava Jato para tomar o poder

11/10/2016 às 9:04

Fonte: Da Redação com Ascom

Em discurso inflamado na Câmara dos Deputados, Luiz Couto (PT-PB) disse haver um acordo entre o atual governo golpista, setores da mídia, o Judiciário, Ministério Público e a Polícia Federal para tomar de assalto o poder público deste País usando a Operação Lava Jato.

“Ninguém minimamente informado pode acreditar que a operação é para acabar com a corrupção na política. O que se quer, antes, é acabar com a própria política, ou, pelo menos, com qualquer resquício de democracia de que ainda esteja revestida”, disse o deputado federal paraibano.

Ele citou em sua argumentação que prisões são mantidas, mesmo sem provas, violando o princípio da presunção da inocência. Couto acrescentou que houve encarceramentos prolongados para estimular delações premiadas, método com todos os traços de confissões obtidas por tortura.

Ele também mencionou a manipulação grosseira de power point e operações policiais espalhafatosas com o claro intuito de gerar, na opinião pública, a convicção do que não se pode provar.

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foto: ascom

“As investidas contra o ex-presidente Lula escancaram o nefasto viés político por trás de todo esse espetáculo. Enquanto inúmeros delatores e réus confessos comprometem-se pessoalmente a devolver dezenas de milhões de reais, alguns setores do Ministério Público Federal encontram enormes dificuldades para provar sua principal imputação direta contra Lula: a de que, na qualidade de chefe de toda a organização criminosa, seria beneficiário ilícito de um apartamento de um milhão e meio de reais — ínfima parte do que aqueles confessam ter subtraído dos cofres públicos”, disse Couto, acrescentando que o caráter subvertido da operação Lava Jato é inegável.

O deputado estranhou que aqueles que confessaram ter praticado crimes são chamados de colaboradores e passam alguns meses usando tornozeleira eletrônica. Em contrapartida, os esforços se voltam contra um inimigo sem que haja legalidade nas ações para chegar até ele.

“O caráter excepcional de tudo isso, inclusive, já foi abertamente admitido pelo próprio juiz que coordena os trabalhos e pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal que deveriam controlar seus excessos. Instauram verdadeiro Estado de Exceção e querem nos fazer crer que a corrupção descoberta hoje é tão exorbitante  que se justifica o afastamento do ordenamento jurídico comum. Não obstante, seus atos contribuíram para alçar ao poder os dois partidos em que se verificou o maior número de candidatos barrados recentemente pela Lei da Ficha Limpa, o PMDB e o PSDB”, declarou Luiz Couto.

Para ele, as forças políticas mais retrógradas do País viram-se incapazes de sucesso pelas vias democráticas e, por isso, querem acabar com o PT. “Atropelando as regras mais elementares de regimes democráticos, incute-se na opinião pública a farsa simplória de que todo o mal vivido neste País é originário do Partido dos Trabalhadores — cada vez mais percebido injustamente como inimigo”.

Finalmente, Couto lembrou que a estratégia usada atualmente contra o PT já foi empregada antes:

“Por meio de uma forte máquina propagandística, os dirigentes do partido nazista usavam medidas excepcionais para afastar os inimigos do poder. O autor dessa ideologia política foi Carl Schmitt, e o partido que lhe deu suporte foi o Partido Nazista Alemão sob a égide de Adolf Hitler. Será mesmo esse o caminho que queremos seguir em pleno Século XXI?”, indagou o deputado.

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