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Campina Grande - PB

Confira a nova coluna de Elizabeth Marinheiro: Tessituras

16/10/2016 às 9:33

Fonte: Da Redação

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* Por Elizabeth Marinheiro

Minha neta telefonou-me dizendo que estava lendo “Cem anos de Solidão”. Fez-me algumas indagações. Fiquei meio “embabascada”. Ora, se ainda hoje não ousei escrever sobre Garcia Márquez, como poderia responder a Maria Eduarda?

Minha “saída” foi fazer-lhe outras perguntas. Isto porque costumo adotar revisão na conceituação de teorias, vertentes críticas, autores, obras, etc. Entendo que, por sua enorme capacidade de criar, a Literatura não é refém de épocas e determinismos sígnicos, pois instaura sua própria realidade.

Então perguntei à neta se ela havia percebido a estrutura cíclica do livro, permeado por monólogos interiores, episódios superpostos, mistérios e a tragicidade familiar.

Em se tratando do realismo mágico, torna-se “perigoso” um mergulho na genealogia dos Buendía, já que em Macondo não há heróis, ou seja, os personagens aparecem e desaparecem, pois os Buendía punham nos filhos os mesmos nomes dos pais. Os cem anos da trama desenham o respeito à coletividade, transformando a violência em protagonista.

Percebe-se, portanto, uma saga em que Gabo enfatiza a loucura, o incesto, a corrupção… Com sua total visão da realidade, o autor insitga a imaginação, mostrando por meio do “Stream of conciousness”, o contato do homem com sua essência mítica.

Desvelam-se também as mentiras urbanas, a solidão do perfeito ditador, o fazer do padre Angel.

Neste romance, que recusa rótulos definitivos, mito/fábula; real e fantasia; sonhos, frustrações, lutas fundem-se revelando o lúdico, o vazio do signo e a grandeza da Escritura.

Gostaria de acrescentar a minha Duda que Gago foi prêmio NOBEL de Literatura por muitos méritos. Bastaria afirmar que nesta aldeia ficcional, fundada por José Arcádia Buendra, não é apenas a estória do Coronel Aureliano Buendia e sim a história do comportamento humano, em que leis humanas agridem o fantástico.

Metáfora dos poderes vigentes, a atemporalidade discursiva transita entre o ontológico e o absurdo; entre o grotesco e o maravilhoso, conotando uma Colômbia tragicômica. E mais: o sem-limites, o sexo e os “salvadores da cidade” revertem a ambiguidade que nem a corrupção e a política comtemporâneas.

Vale dizer, Maria Eduarda: “Cem Anos de Solidão” traduz a solidão humana e o suicídio dos poderosos.

Já Gabriel Garcia Márquez é a recriação poética da Linguagem!

NOTA ZERO.

  • Para comerciais estereotipados da TV brasileira.

  • Para o artificialismo da apresentadora do programa Studio I.

  • Para os atuais “bobos da corte”.

NOTA DEZ.

  • Para o Sr. Paulo da “Banca de Revista” (Praça da Ternura).

  • Para os 25 anos da “Suissa”.

  • Para meu amigo João Dória.

  • Para Lili Arnaud.

POÉTICA

“Clarim e a Oração”, obra organizada pelo Escritror Rinaldo Fernandes, é um trabalho completo em torno de Euclydes da Cunha.

Com estudos de Ariano Suassuna, Moacyr Scliar, Maria Alzira Lemos, Augusto de Campos, Flávio R. Kothe, Hildeberto Barbosa Filho, Regina Zilberman, Benedito Nunes, Haroldo de Campos, Mário Chamie, Marcus Accioly, José N. Pinto e outros pesquisadores, “Clarim” chega para a melhor orquestração da Critíca Literária nacional.

Em sua apresentação, afirma Rinaldo: O leitor, tenho certeza, se enriquecerá com os textos que vêm a seguir. Confirmará a grande importância de Os Sertões para a cultura brasileira. Afinal – e foi algo que perseguia desde o início -, aqui estão reunidos intelectuais de todas as regiões do país.”

Concordamos, literalmente.

E, ao meu leitor, sons de muitos claríns!

* Professora-doutora, ensaísta, acadêmica e escritora campinense

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