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Campina Grande - PB

Coluna de Padre Assis: Epifania, Deus se manifesta a todos os povos!

07/01/2017 às 11:28

Fonte: Da Redação

Por Padre José Assis Pereira

Hoje celebramos a Epifania para recordar a Manifestação do Senhor a toda humanidade, com o relato dos Magos do Oriente que nos narra o Evangelho (cf. Mt 2,1-12).

São Mateus descreve a chegada dos magos a Jerusalém e depois a Belém. A reação de Herodes e a atuação dos sumos sacerdotes e mestres da lei contém uma carga impressionante de ensinamento. Homens estrangeiros seguem o caminho indicado pela estrela, para adorar o recém-nascido rei dos judeus. O rei Herodes ante o temor de que surgisse um rei “maior” que ele fica perturbado, se deixa levar pela inveja e reage cruelmente. Os conhecedores das Escrituras em Jerusalém ficam indiferentes ante aquela luz do céu, que anuncia o acontecimento esperado por séculos. Diante deste relato tão carregado de significado, nos resta refletir seriamente: Somos como aquela Jerusalém, “conhecedora das Escrituras”, mas incapaz de reconhecer e de ao menos seguir o caminho da Luz de Cristo? Ou somos como os magos do oriente, em busca sempre da verdade e dispostos a caminhar ao encontro de Jesus, Rei e Senhor da história?

O que buscavam os magos? A quem? Por quê? Eles possuíam tudo: reino, nobreza e riquezas, mas lhes faltava o supremo tesouro. Buscavam porque suas fortunas, não lhes satisfaziam todos seus desejos de felicidade. Buscavam porque, mesmo sendo reis, queriam ser servos daquele que havia sido anunciado, profetizado e, por um momento, silenciado por poderes que queriam antepor-se ao mesmo Senhor.

A quem nós buscamos? Quanto nos assusta as dificuldades! Aos magos, longe de acovardá-los, os inconvenientes da caminhada; cruzaram desertos e montanhas, enfrentaram tempestades, domínios e traidores tudo os levaram até a gruta do divino e inocente Menino. Nem sempre perceberam a estrela (pistas nítidas da presença de Deus), quando a divisavam, se enchiam de alegria e, quando a perdiam, longe de esquecê-la, não deixavam de falar dela, de quando apareceria de novo.

Nem sempre nós temos as “coisas claras”. Mas o que fazemos quando os “novos Herodes” nos convidam a desistir, esquecer ou sacrificar esse Menino que, no coração o temos sentido em tantos momentos sacramentais ou pessoais?

Hoje, com os magos, Deus se nos manifesta. Mas como haverá muitos de ver a luz se faltam “eletricistas” de Deus, acendedores de luzes? Como alguns de nós, amigos e familiares vão buscar a estrela que conduz a Belém se há tantos que tentam nos distrair das estrelas que cruzam a imensidão do céu?

A vida do homem é um peregrinar para Deus; assim como estes magos, o ser humano busca a Deus. Mas onde está Deus? Onde o poderemos encontrar? Qual é o caminho que devemos seguir? O homem caminha, busca a verdade e na vida se depara com inúmeras dificuldades nesta caminhada; às vezes parece que não vemos a luz, às vezes temos que voltar atrás e refazer o caminho. Às vezes, enfim, temos que seguir andando ainda que nosso destino pareça muito difícil, ainda que pensemos que por mais que lutemos não chegaremos. Porém desistir, jamais!

Só quem se põe a caminho tem a esperança de chegar, só quem busca a Deus o encontra. Ele se deixa encontrar. Mas o mais belo da peregrinação do homem é que Deus mesmo é quem sai ao seu encontro. “Esta festa faz-nos ver um movimento duplo, por um lado o movimento de Deus rumo ao mundo, à humanidade, toda a história da salvação, que culmina em Jesus, e por outro, o movimento dos homens em direção a Deus… E Jesus é o ponto de encontro desta atração recíproca, e deste movimento duplo. É Deus e homem: Jesus. Deus e homem. Mas quem toma a iniciativa? Sempre Deus!… Deus precede, procura-nos sempre primeiro, Ele dá o primeiro passo. Deus precede-nos sempre” (Papa Francisco).

Mas Deus necessita que nós decidamos buscá-lo, quer que nós nos disponhamos a caminhar, espera que nós o encontremos. Porém qual é o rosto de Deus? O rosto do poder, do dinheiro, do domínio? Não, Jesus não nasce no meio da riqueza nem quer dominar porque quer mostrar-nos que o amor e a misericórdia são o verdadeiro rosto de Deus.

O Papa Francisco na sua homilia de Natal deste ano nos diz: “Deus não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para encontrá-lo, é preciso ir onde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino. O Menino que nasce interpela-nos: nos chama a deixar as ilusões do efêmero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. Far-nos-á bem deixar estas coisas, para reencontrar na simplicidade de Deus-Menino a paz, a alegria, o sentido luminoso da vida”.

Assim como os pastores na noite santa do Natal, os Magos são os primeiros de uma longa lista de homens e mulheres que ao longo da história da humanidade têm buscado constantemente em suas vidas, com os olhos fixos na luz divina, a Deus que está perto de nós, pois é o Deus conosco e nos indica o caminho.

Vimos na profecia de Isaías (cf. Is 60,1-6) como ele falava da luz que iluminava Jerusalém, mostrando-a revestida da glória do Senhor. “Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora… trazendo as suas riquezas.” A luz divina que brilha na cidade santa aponta para Jesus a quem “os reis de Társis e das ilhas, os reis de Seba e de Sabá… os reis de toda a terra hão de adorá-lo e todas as nações hão de servi-lo” (Sl 71).

A estrela que os Magos viram no firmamento ilumina os seus passos para conduzi-los a Jesus, a luz verdadeira, como afirma São João no Prólogo do seu Evangelho: “O Verbo era a luz verdadeira, que ilumina todo o mundo.” (Jo 1,9)

Dizem os Magos: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2). Estes magos eram homens de regiões distantes e culturas diversas, e se haviam encaminhado até a terra de Israel para ver e adorar o rei dos judeus que havia nascido. Desde sempre a Igreja viu neles a imagem da humanidade inteira e com esta celebração de hoje, quer guiar todo homem e a toda mulher deste mundo até o Menino que nasceu para a salvação de todos.

Aqueles homens que buscavam ansiosamente simbolizam a sede de Deus que tem os povos que ainda não conhecem o Filho de Deus. A Epifania além de ser uma recordação, é, sobretudo, um mistério atual, que pretende sacudir a nossa consciência adormecida, a consciência de muitos cristãos. Para a Igreja a Epifania constitui um desafio missionário: ou trabalha inteligentemente e com criatividade no anúncio da alegria do Evangelho, para manifestar Cristo ao mundo, ou trai sua missão. A tarefa essencial e iniludível da Igreja é trabalhar para anunciar, levar Cristo a todos aqueles que não o conhecem.

A chegada dos magos, que não pertencem ao povo de Israel, o povo escolhido, nos revela a vocação universal da fé, universalidade que até agora nunca atingimos. Todos os povos, todas as culturas, todas as pessoas são chamadas a reconhecer o Senhor para viver conforme a sua mensagem e alcançar a salvação. Pois a salvação é para todos, sem discriminação: O Senhor é para todos! Não é para uns poucos. Já não existe um povo exclusivo. Todos somos chamados a desfrutar da grande herança divina.

Vamos, levantemo-nos e sigamos adiante, atraídos pelo resplendor da estrela. Como os magos, prostremo-nos ante a grande manifestação de um Deus que nasceu para todos os povos da terra.

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