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Campina Grande - PB

Coluna de José Mário da Silva: Russel Shedd, um exemplo de cristão

29/11/2016

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Por José Mário da Silva (*)

Depois de perder o Pastor Paulo Solonca, a igreja evangélica brasileira agora perde o ilustre Pastor e teólogo Russel Shedd, que, na madrugada do último dia vinte e sete do mês de novembro do ano em curso, foi chamado pelo Senhor para o lar celestial. Na verdade, o verbo perder, aqui empregado, é apenas uma maneira de a nossa humana linguagem expressar a dor que sentimos de nos vermos apartados de pessoas tão queridas e tão preciosas no reino de Deus. Dor como sinônimo de terna saudade, jamais de desespero, porque para os que em Jesus Cristo já depositaram a sua irrestrita confiança, a morte não é o fim; antes, é o ponto de partida para a verdadeira e eterna vida, a que desfrutaremos, para sempre, na presença do Senhor.

Além do mais, para Deus nunca perdemos nada, dado que é Ele o nosso supremo bem, fonte indesviável da genuína felicidade. É por esse patamar que, conquanto ainda estejamos pranteando a partida do nosso estimado irmão Russel Shedd, sabemos que ele está com Jesus Cristo, o que é incomparavelmente melhor, conforme doutrina o apóstolo Paulo na sua magnífica epístola aos Filipenses, tão bem exposta pelo eminente teólogo.

Russel Shedd era um renomado teólogo, dos mais abalizados do nosso país, com intensa atuação no ministério da pregação do evangelho, do ensino teológico nos seminários e da escritura de livros que trouxeram profunda edificação espiritual para o povo de Deus. A despeito da sólida formação acadêmica de que era portador, o Pastor Russel Shedd nunca permitiu que tal qualificação intelectual fosse motivo de vaidade, postura nem sempre assumida por muitos cujo ser/fazer confundem-se com a empáfia mais insuportável, além de ser completamente anticristã.

Nesse sentido, Jesus Cristo, como em todas as dimensões da vida, é o nosso paradigma sublime e modelo incomparável. Sendo Criador e mantenedor de todas as coisas, fez-se homem e humilhou-se até a mais ignominiosa das mortes, a que tinha na sangrenta cruz o seu privilegiado lugar de realização.

Russel Shedd viveu assim, de modo a consorciar simplicidade humilde e humildade simples. Russel Shedd vivia o que pregava e pregava o que vivia, demonstrando em sua quase nonagenária existência, ele morreu com oitenta e sete anos, um testemunho eloquente, próprio de quem verdadeiramente foi alvo da graça e do poder transformador que há no evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Quis a Providência que o itinerário terreno de Russel Shedd chegasse ao fim, depois de uma luta renhida contra um câncer que o acometeu há alguns anos. Para o cristão genuíno, entretanto, os sofrimentos do tempo presente, mesmo os mais agudos, nada são quando comparados com a alegria e glória, eternas, que aguardam os salvos na eternidade.

Russel Shedd tinha essa inabalável convicção, tanto que, poucos dias antes da sua morte, gravou um singelo vídeo, no qual afirmou que o sofrimento pelo qual estava passando o ajudava a desconectar-se, cada vez mais, das provisórias realidades deste mundo, e, à luz do que preceituou o apóstolo Paulo na carta aos Colossenses, a “pensar nas coisas do alto”, onde Cristo reina à destra do Pai. Disse ainda que o seu sofrimento era ínfimo quando comparado ao que vivenciou Jesus Cristo na cruz do calvário, na qual conquistou a eterna salvação do seu povo. Disse, por fim, que em todas as circunstâncias da vida, notadamente as que são pontuadas por sofrimentos, dores e aflições, nós podemos experimentar o cabal cumprimento da promessa dAquele que nos assegurou que estaria conosco todos os dias, até que os séculos viessem a ser consumados. Verdadeiramente, Ele está conosco, sempre.

Russel Shedd parte, sai do tempo e ingressa nos páramos celestiais, passando a desfrutar da gloriosa e plenificadora presença dAquele que nos criou para o louvor da sua glória. Glorificamos a Deus por ter Ele concedido à igreja evangélica no Brasil, um servo piedoso como Russel Shedd, cuja vida foi símbolo inquebrantável de compromisso com o evangelho, “que é o poder de Deus e salvação para todo o que crê”.

(*) Docente da UFCG, membro da Academia Paraibana de Letras

FONTE: Da Redação

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