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Campina Grande - PB

Coluna de José Mário da Silva: A morte do pastor Paulo Solonca

10/10/2016 às 9:55

Fonte: Da Redação

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Por José Mário da Silva (*)

Em boa hora, aqui neste território digitalizado, num necessário exercício de justa e amorosa memória, o pastor Gomes Silva cartografa, em admirável síntese, a doce e inspiradora figura do pastor batista Paulo Solonca, que, no último dia doze do mês de setembro do ano em curso, encerrou a sua travessia térrea e a iniciou, sempiternamente, na glória celestial, na qual, soberano, reina “aquele que nos amou e se entregou por nós” (Efésios 5.2), Jesus Cristo, nosso amado Senhor e Salvador.

Lutando, já há algum tempo, contra um agressivo câncer cuja ação deletéria incidia sobre o sistema ósseo, finalmente, exaurido pela perversa enfermidade, o corpo de Paulo Solonca sucumbiu, fazendo com que, mercê do chamado providencial do Senhor, ele fosse transportado da contingencialidade da esfera temporal para a eternidade, para o Lar aventuroso de todos aqueles que foram, um dia, confrontados pelo impactante poder do evangelho e ato contínuo, ao serem compelidos pelas irresistíveis persuasões do Espírito Santo de Deus, arrependeram-se dos seus reais e condenáveis pecados e creram na pessoa e na obra redentora que Jesus Cristo realizou na cruz do calvário de maneira eficaz, suficiente e definitiva.

Paulo Solonca, pelo incontroverso testemunho dado pelos que tiveram o privilégio de conhecê-lo mais de perto, foi o exemplo vivo de um autêntico discípulo de Jesus Cristo, cujo viver diário foi pautado pelos contagiantes princípios da piedade genuína e da cativante simplicidade comportamental, tudo temperado com a bem-aventurança da humildade, com a qual o Senhor e Salvador Jesus Cristo principiou o seu glorioso Sermão da Montanha, e que é, de igual modo, a marca indelével de um verdadeiro cidadão do reino dos céus. Cidadão esse que sabe que a cidadania celestial verdadeira é aquela que é tingida pelo sangue vertido no calvário e adornada pela superabundante graça de Deus, favor imerecido que ele nos concede, mas sem o qual nós não podemos viver; como gostava de acentuar o também saudodo pastor Ismael Feijó de Melo, que, por vários anos, foi o guia espiritual da Igreja Presbiteriana de Campina Grande.

Paulo Solonca foi assim, em seu longevo e abençoado ministério, alguém que sempre soube que somente a Deus é que devemos tributar honra, glória, louvor e adoração. Quando das suas estadas em Campina Grande, para atuar como pregador e palestrante nos encontros promovidos pela Visão Nacional para a Consciência Cristã, Paulo Solonca transpirava simplicidade no dizer e no ser, em nada se assemelhando a muitos que, estranha e pecaminosamente, assumem a postura de celebridades autocolocadas, pela tola vaidade, no alto pedestal da arrogância, de onde, célere, a queda finda fazendo-se inevitável.

Paulo Solonca mostrava-se, de igual maneira, rigorosamente comprometido com a ética cristã, atitude plasmada no anelo santo de em todas as coisas refletir o caráter de Cristo e espelhar, na sua inteireza, a sublimidade do fruto do Espírito Santo, o único capaz de revelar que tipo de árvore somos nós. “Pelos frutos é que se conhece uma árvore”, (Lucas 6.44) eis a inapelável sentença de Jesus Cristo.

Nesse particular, recordo-me de uma singela e pedagógica história contada por Paulo Solonca. Ele queria muito vender um imóvel de sua propriedade, que era excelente, mas tinha um sério problema em sua estrutura, quando chovia, em certa parte da casa, virava uma verdadeira inundação. Todas as vezes em que ele estava quase fechando o negócio, o comprador fazia a seguinte pergunta: a casa apresenta algum tipo de problema em sua estrutura? E o pastor Paulo Solonca, resoluto, respondia: “sim, quando chove, tal parte vira uma piscina”. Desnecessário dizer que, quase feito, o negócio era desfeito imediatamente.

O aludido enredo repetiu-se inúmeras vezes, até que, de modo pragmático, alguém disse ao pastor que deixasse que ele iria resolver o problema, dizendo que desconhecia algum tipo de problema existente na casa. Na réplica, o pastor Paulo Solonca disse que preferia falar a verdade e não vender a casa a mentir ou omitir uma informação fundamental para o comprador. Por fim, a casa foi vendida. Ao adquiri-la, o comprador disse que o fez tanto pela qualidade da casa quanto pela incomum honestidade do seu proprietário.

Esse episódio é uma eloquente demonstração de um estilo de vida que tem como desiderato primordial a promoção da glória de Deus. Sereno na exposição da Palavra de Deus, o pastor Paulo Solonca pregava o que vivia e vivia o que pregava, sendo, desse modo, coerente com as normas e balizas da sua fé.

Morre o homem Paulo Solonca, fica a força convincente do seu exemplo e do impactante testemunho que ele legou para as próximas gerações. A Escritura sagrada afirma que “preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116.15). O ponto aqui é que, fonte de insolúvel desespero para muitos, a morte, para o cristão, não detém a palavra última da história, antes é uma porta que se abre para a vida verdadeira a ser vivida no céu de luz, na presença gloriosa do Deus que é puro e santo amor.

A Deus toda a glória, sempre, pelo que ele é e pelo que realiza na vida de um ser humano, assim como o fez na vida do pastor Paulo Solonca, exemplo dos fiéis e referência na vida da igreja que serve a Deus em nosso país.

(*) Docente da UFCG, membro da Academia Paraibana de Letras

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