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Campina Grande - PB

Coluna de Flávio Romero: Um aniversário atípico!

01/12/2016

Foto: Ascom

Por Flávio Romero (*)

Esperei, pacientemente, os primeiros segundos do dia 29 de novembro de 2016 para postar parte desta mensagem numa rede social, antes de decidir aprofundá-la para fins de publicação na minha coluna semanal do Paraibaonline.

Ontem (28) foi um aniversário atípico.

Acometido por uma crise violenta de Síndrome do Cólon Irritável, as intensas dores abdominais sequer me permitiram sair de casa, nem para trabalhar.

As horas passaram lentas, enquanto eu migrava da cama para a rede, da rede para o sofá.

De fora para dentro de mim.

De algum lugar para o espaço onde escrevi essa crônica.

Aniversário sem comemoração? É possível?

Não faltaram as mensagens ou as ligações telefônicas – algumas de pessoas que eu aguardava, ansiosamente.

Outras, de pessoas que nem sequer imaginava que lembrariam dessa data.

Algumas mensagens encontraram guarida na minha alma.

Outras, ficaram volitando nos espaços intersticiais – entre o corpo e a alma.

Até meia-noite aguardei chamadas que desejava receber. Contudo, findou-se o dia e elas não surgiram. Reinou silêncio onde antes predominavam demonstrações de eterna amizade ou de eufóricos afetos.

Foi um aniversário atípico.

Em outros tempos, centenas de pessoas brindavam comigo este dia, presencialmente.

Ontem, uma comemoração única e solitária – eu comigo mesmo!

Fiz questão de não receber um só cumprimento com contato físico.

Estive recolhido no meu ninho, talvez chocando os ovos dos sonhos e das ilusões.

Parece uma revolta ou uma crise existencial?

Nada disso, apenas um mergulho estratégico em mim mesmo. Um mergulho sutilmente abrupto nas camadas mais profundas. Mergulho daqueles que permite revisitar as emoções ou até as memórias, adormecidas.

No entanto, neste refúgio compulsório, que lição foi possível tirar?

Aliás, antes de concluir, é preciso fazer uma pergunta inicial:

Qual a razão insondável para que a enfermidade de origem psicossomática se instalasse às vésperas do meu aniversário?

Há sempre um sentido para além do aparente. Por vezes, olhamos com a vista tão cansada e turva que não conseguimos enxergar o que há para além do horizonte, próximo ou distante.

Creio num Deus que é o Senhor da Cura. Nunca o algoz que causa enfermidade em Suas criaturas.

No entanto, penso que hoje o Pai Celestial ordenou que eu desse “um tempo”:

Um tempo para pensar, sem compromissos.

Um tempo para priorizar o silêncio, ao invés dos cotidianos ruídos.

Um tempo para refletir, sem ansiedade.

Um tempo para parar, enquanto o mundo seguia célere, fora do meu casulo.

Um tempo para pensar sobre a minha vida, e não sobre tantas vidas que povoam meu universo existencial.

Por um instante lembrei de Louise Hay, autora motivacional americana, nascida em Los Angeles em 1926, quando afirmou:

“Os pensamentos que escolhemos pensar são as ferramentas que usamos para pintar o quadro de nossas vidas”.

Será que alguma força intangível colocava em minhas mãos pinceis e aquarelas para eu pintar com outros tons multicoloridos os cenários da minha existência?

É certo que as mensagens nas redes sociais superaram cinco centenas, numa demonstração, indiscutível, de que sou uma presença marcante na vida das pessoas.

Para muitos, sou bem mais do que os cargos que exerci ou do que o suposto poder, efêmero e fugidio, que tantos dão incomensurável valor, ao ponto de se tornarem reféns, escravos ou bajuladores das “autoridades” de plantão.

Tenho plena convicção que não foram congratulações meramente formais com o objetivo simplório de cumprir uma convenção social.

Havia verdade nas mensagens postadas!

Em muitas, mais do que uma verdade, havia emoção e indisfarçável afeto.

É certo que algumas ligações mexeram, ainda mais, com as minhas emoções, fragilizadas pela dor, até então incompreensível.

No entanto, estou convencido de que o dia do meu aniversário de 54 anos era para ser assim – fisicamente sozinho e espiritualmente pleno da presença de Deus, me fazendo refletir.

Afinal, Ele sonda o meu coração e sabe de todas as minhas ansiedades e inquietudes.

Ele não somente cuida de mim, mas se Faz Fonte Fecunda e Infinita de Bondade, de Misericórdia e de Amor.

“Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”.

Este foi um aniversário atípico, inesquecível pelas lições que deixou e pelo maior dos presentes:

Um bálsamo divino, revitalizando a minha fé e acalentando os meus sonhos e ideais.

Obrigado, Senhor por Tua presença que se fez o maior dos presentes, neste meu aniversário atípico.

Amém!

(*) Professor

FONTE: Da Redação

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